Embora seja um tanto difícil apreciar os ritmos da natureza atualmente, e sobretudo, nesta cidade cinza, em algum momento eu saberia, ou teria de perceber que as coisas não continuam iguais à minha volta. Não vivo em um bolha, mas me distanciei por um tempo disto tudo, para poder me reencontrar. Aqui fora está tudo tão confuso e me sinto realmente fora desta realidade. De fato não há muito que me atraia aqui. Com a chegada dos infalíveis 30 anos, eu consegui enxergar o que aprendi nos últimos tempos. São incontáveis sensações, que talvez, de alguma forma, possam explicar um pouco desta abstração que tenho demonstrado ao mundo... e, quem sabe (?) sirvam de conselho ou exemplo, não sei, aos que vêm logo atrás de mim. Longe de querer ser perfeita, pois ninguém é, apenas ponho minhas humildes letrinhas aqui como um simples desabafo, um silencioso apelo ao acaso, abafado, surdo, por pura vontade de continuar sendo o que sou, sem grandes pretensões.
Como em uma tela, em ritmo frenético, cenas do passado e conexões psicológicas com o real sentido dos acontecimentos foram feitos no âmbito de minha percepção nos últimos meses. Percebi muitas coisas, que devo dizer, nem sempre me agradaram, por me fazerem perceber o quanto estive longe de minha essência, longe de meus ideais, longe de mim. Depois de grandes batalhas internas, e observações muito pertinentes de pessoas que amo, e sei que me amam também, quero mostrar finalmente que “yes, estou saindo dessa casca de proteção”. Nada como um empurrão despretensioso num final de semana perdido no espaço...
É paradoxal o momento que vivo atualmente, porque ao passo que a natureza se fechou para seu balanço anual há alguns meses, eu estou do lado oposto, saindo de uma imensa crisálida, após um longo e tenebroso período de amadurecimento. Hum, que filosófico... Pois é. Filosófico. E ponto. Mas um pouco além está a máxima de que o sofrimento traz inevitavelmente o amadurecimento. Será? Isto eu continuo me perguntando até agora. Acho que não vão conseguir me convencer, nem daqui a algum tempo, que isso se aplica sempre, sem exceção a simplesmente todos os casos. Não! Por isso vou expor adiante alguns comentários básicos, e se alguém depois disso quiser refletir, comentar, aplicar isso à sua própria vida, fica a seu critério. Mais ou menos no esquema “por sua conta e risco”, pois não é porque algo dá certo comigo, que dará com o próximo, ou melhor, “se conselho fosse bom, ninguém daria”. Bem, como disse, são só observações, e cada um segue o que for melhor para si.
Lá vão os comentários...
Nunca pense que dinheiro compra afeto. Não há nada como afeto verdadeiro e desinteressado. Dinheiro compra conforto, dinheiro compra prazer, dinheiro compra coisas, posses, bens, não pessoas e amor, nem carinho.
Nunca tente controlar as pessoas, por achar que elas são suas. Isto se faz com um cachorro, um gato, e mesmo com eles existe uma certa resistência, uma desobediência, um quê de revolta lá no fundo, demonstrado nos mínimos atos dos mesmos. E principalmente, não tente fazer isto com quem você ama ou diz amar. No fim, tudo vira revolta.
Não veja todas as pessoas como boas o tempo todo. Todos temos sombras. Observe. Preste atenção, bastante atenção. Algumas querem apenas ser realmente importantes e fazer a diferença na sua vida. Outras nem tanto. Dê amor a todas elas, mesmo que não vá receber nada, nem um sorriso de volta. É difícil?? Sim, quase impossível, mas você terá a consciência limpa. Pelo menos você tentou. Odiar pessoas que querem seu mal, quase sempre é dar a elas o que elas querem. Não faça parte deste pacto insano, de deixar uma pessoa ser uma criança mimada pelo resto da vida. Se necessário for, mesmo que doa muito, afaste-se dela. Em algum momento ela perceberá, ou não, o que perdeu, e poderá, ou não tb, pois neste momento a decisão será sua, retomar aquilo que ficou para trás.
Não faça generalizações o tempo todo. Nem todas as pessoas são iguais. Algumas realmente são diferentes. Surpreendentemente diferentes, eu diria, das outras. E depois que você decidir se render a seus encantos, esqueça definitivamente o passado. Ele só vai te atrapalhar nesta nova jornada. Se possível, tranque-o em um baú bem fechado, de preferência a sete chaves. Porque às vezes, o passado é com um cão raivoso, que te suscitará as mais diversas emoções, nos momentos mais inconvenientes. Acredite em mim.
A vida lhe imporá riscos. A decisão de correr esses riscos ou não, deverá sempre partir de você. Não deixe que ninguém controle sua vida, principalmente depois que você passar dos 20 anos. Seja o controlador sua mãe, seu pai, seu irmão, um namorado, ou qualquer outro ser humano. A não ser que você não se sinta apto a tomar as rédeas de maneira comedida e decente, esta regra de ouro não deverá ser desprezada.
Não tente agradar os outros o tempo todo. Isso, no fim das contas fará mal a você, e tão somente você, que sairá da batalha com a sensação de “eu podia ter feito melhor”, porque existem pessoas que não se sentem felizes com nada. Ou seja, será um esforço inglório. Agrade a você mesmo, porque pressuponho, você é a única pessoa que conhece você o suficiente, para decidir o que é bom ou ruim. Como diz a música, “faça o que é bom, sinta o que é bom, veja o que bom, bom pra você”. Não é algo egoísta isso, é apenas uma questão de poder ou não agradar. E se você acha que pode agradar uma pessoa, faça; se acha que não pode, não faça. Simples assim a equação. É uma questão mais de percepção.
Caminhos diversos se põem a nossa frente o tempo todo, a decisão de seguir por um ou outro é de cada um. Não deixe que o medo impeça-o de fazer o que deseja. Medo mata. Medo mina nossa vontade seguir em frente. Medo enfraquece. Medo entristece. Medo paralisa. Medo impede. Medo contamina. Cuidado!
Também não decida viver em uma zona de conforto. Um porto seguro pode parecer um lugar tranqüilo, agradável e “quentinho”, mas só vai te fazer mal. Viva o que deve ser vivido com a intensidade de uma criança de 5 anos sempre.
Não tente tirar vantagem dos outros o tempo todo, pq qdo cair, como dizem, com a cara no chão, será difícil a recuperação. Aliás, não tente levar vantagem em cima das pessoas nunca. Isso é muito feio. Lembre-se que a vida é uma troca. Recebemos o que damos. E certamente se vc receber uma coisa ruim, é pq plantou algo bem insalubre antes.
Não conte aos outros algo que tenha sido confiado a ti em segredo. Segredos devem ser guardados e não compartilhados, pq mtas vezes referem-se a coisas que não são aprovadas pelas pessoas medianas e apenas um espírito realmente livre consegue entender. Mesmo que seja algo que tenha feito quem te contou crescer, pode ser que ela tenha te contado apenas pq precisava se libertar daquilo. Confiança é algo que não se trai, lembre-se sempre muito bem disso. Pode ser que você não tenha outra chance com esta pessoa, se confiar a outra pessoa o segredo desta primeira. Pq a partir da segunda ou terceira pessoa a quem este é contado, ele já não será um segredo e pode causar danos nas amizades entre as pessoas.
Não abuse da bondade das pessoas. Elas percebem uma hora ou outra e depois será você que não terá mais direito a usufruir do benefício.
Não julgue. Não pense nada a respeito de alguém, sem saber o que realmente se passa na vida da pessoa. Nunca conhecemos suficientemente bem as pessoas para fazer um julgamento correto delas. Quando apontar um dedo a alguém, lembre-se que existem três dedos apontados para você e um de pé como testemunha. Isto é uma arma.
Mais uma vez, não generalize. As pessoas não são iguais, mesmo que partilhem do mesmo nome, sobrenome, tipo sanguíneo, pai, mãe ou qualquer coisa assim. Todas as famílias, sem exceção, têm seus patinhos feios. Muitas vezes esses patinhos feios são horrorosos, mas não é porque querem, nem sempre pelo menos. Existem pessoas que brilham e existem pessoas que têm preguiça de brilhar, apesar de terem potencial para tal.
Enfim, e acima de qualquer coisa, ame sempre, com todas as suas forças, com teu ser por inteiro, porque é isso que vale a pena na vida. Ame as pessoas, ame as coisas, os animais, a sua vida, porque é deste amor, impreterivelmente incondicional que nasce a capacidade de perdoar.
Eu aprendi a perdoar. Eu exercitei isto. Sofri e chorei muito nos últimos tempos, mas aprendi. Não tenho nenhum sentimento ruim por quem quer que seja atualmente (mas tb não precisa abusar, ok? Todo mundo tem limite), não odeio ninguém. Dou amor, sem cobrança. Não quero nada de volta. Se vier algo de volta, estarei no lucro. Se não vier, não me lamentarei. Apenas comunico às pessoas quando algo está me incomodando sobremaneira e as deixo decidir se querem ou não continuar com aquilo. E seja o que os deuses quiserem! Sinceramente, se alguém quiser se retirar da minha vida depois de eu deixar alguma decisão em suas mãos, com certeza é porque não pensou duas vezes, então que vá em paz! Tenha uma vida longa e próspera. Porém, tenha em mente, sou uma guerreira e um dia precisará de mim e eu terei, então, a decisão em minhas mãos, podendo dizer sim ou não, dependendo do caso.
Por enquanto é só, pessoal!




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